Dizem-te que a tua equipa sofre de “paralisia por análise”. Que precisa de mais “alinhamento estratégico”. Que tem dificuldade em “tomar decisões ágeis”. São frases polidas para uma verdade que todos já conhecemos: quando a informação não é perfeita e o tempo está a esgotar-se, a tua equipa pura e simplesmente bloqueia. Anseia por informação e para…ou pior: improvisa sem critério, liderada pelo mais barulhento, não pelo mais sensato.
Nós percebemos a fantasia [vemos diariamente, por todo o lado]. A de ter todos os dados, todos os relatórios, todas as projeções a cinco anos, antes de se tomar aquela decisão. Mas o mundo de negócios onde o risco é um cálculo matemático e a incerteza é uma variável controlada já não existe.
A obsessão pelos dados completos é uma armadilha
Os negócios não esperam pela certeza. A Sword Health não esperou que o mercado de fisioterapia digital estivesse maduro e validado. Criou-o. A Shein ou a Temu não fazem um plano de negócios de seis meses para cada nova T-shirt. Elas produzem mil unidades, lançam, medem a reação em 48 horas e, se funcionar, escalam. Se não funcionar, matam o produto [sem cerimónias fúnebres].
Enquanto isso, em demasiadas empresas, as equipas reúnem-se durante semanas para discutir o “go/no-go” de um projeto menor. Pedem mais dados. Encomendam mais análises. E o momento passa. A oportunidade morre na sala de reuniões, vítima de uma cultura que premeia a cautela em vez da coragem.
Dizes que a tua equipa tem problemas de colaboração. Nós dizemos que a tua equipa não tem um problema, tem um sintoma. O verdadeiro problema só se torna visível quando se tira a rede de segurança.
A verdade não está num workshop de PowerPoint
Podes organizar mais um workshop sobre “Tomada de Decisão em Ambientes VUCAH”. Podes projetar slides com a Matriz de Eisenhower ou o ciclo OODA. Podes até fazer um role-play onde todos fingem estar sob pressão.
Não vai funcionar.
Falar sobre comunicação sob pressão não é comunicar sob pressão. Analisar um case study sobre uma decisão difícil não é tomar uma decisão difícil. A liderança e a dinâmica de equipa revelam-se… na prática. Em cenários onde há algo em jogo, onde o tempo é real e onde as consequências da inação são palpáveis.
Na Immersis criamos laboratórios onde os participantes são forçadas a decidir. E depois, confrontamos esses participantes com um espelho do que aconteceu. Desenhamos o campo de batalha, entregamos as ferramentas (sempre incompletas) e ligamos o cronómetro. O que acontece a seguir é mais revelador do que qualquer avaliação 360.
Relógio a contar: uma equipa sob pressão
Os primeiros minutos das nossas experiências, by design, permitem que o caos educado reine. “Ok, equipa, vamos organizar a informação”. Mas o tempo passa. O tique-taque é audível. A pressão sobe. E é aqui que os padrões reais emergem, nus e crus.
O analista da equipa, que na empresa passa semanas a polir relatórios, entra em pânico. “Preciso de confirmar isto! Não posso avançar sem ter 100% de certeza!”. Ele pede dados que a outra equipa não tem. Paralisa o processo.
O comercial mais assertivo, habituado a fechar negócios, assume o controlo. “É preciso é fazer alguma coisa!”. Ele não ouve os avisos de outro participante hesitante, que tem uma informação crucial mas não consegue fazer-se ouvir.
O gestor de projeto, que delega tudo, fica em silêncio. Limita-se a passar mensagens entre participantes ou salas, evitando a todo o custo a responsabilidade da decisão final. Se der asneira, a culpa não é dele. Ele só “facilitou a comunicação”.
O objetivo é cumprido… ou não. O resultado não é a parte menos importante.
A dinâmica acabou. A análise começa.
É no *debrief* estruturado que se encontra o ouro. Quando o cronómetro para e a adrenalina baixa, começa o trabalho a sério. O Luís Rosário ou o Carlos Moreira não estão ali para dar palmadinhas nas costas ou dizer “para a próxima corre melhor”. Está ali para fazer as perguntas difíceis.
O silêncio que se segue a estas perguntas vale mais do que dez workshops. É o momento em que a equipa se vê ao espelho. O “problema de alinhamento” ganha um nome e um rosto. A “dificuldade de comunicação” materializa-se numa conversa específica onde alguém foi ignorado. O medo de decidir deixa de ser um conceito abstracto e passa a ser a hesitação de fazer algo relevante naquele contexto imersivo.
Equipas de clientes como a Ren, a Fidelidade ou a Leroy Merlin não passam por isto para se divertirem. Passam por isto para se conhecerem. Para criarem uma memória coletiva de como atuam sob pressão, num ambiente seguro, antes que “bombas reais” apareçam no escritório, sob a forma de uma crise de mercado, uma quebra de produção ou um projeto crítico à beira do colapso.
O que queres para a tua equipa? Continuar a falar de “agilidade” e “colaboração” em salas de reuniões confortáveis? Ou queres descobrir quem realmente são quando as luzes se apagam e o relógio começa a contar?
A decisão, como sempre, é tua. O primeiro passo não é contratar um programa de formação. É ter uma conversa honesta sobre os desafios de decisão que a tua equipa enfrenta todos os dias.
Se queres parar de falar em “alinhamento” e começar a ver como a tua equipa decide de verdade, conte-nos o que está a acontecer.
Prometemos que a conversa será provavelmente desconfortável…e nada será como dantes.