Experiência imersiva, o que é?

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Experiência Imersiva, o que é?

Imagine que um dia entra na sua empresa, sai do elevador, dirige-se ao seu
posto de trabalho habitual e não encontra a sua mesa, nem a sua cadeira, o
seu computador, nada. Apenas uma mensagem referindo que deve dirigir-se a
uma sala no andar de baixo, onde se encontra alguém à sua espera que lhe diz
que você acabou de entrar numa experiência imersiva!

Não é ficção, esta foi exatamente a forma como se iniciou um curso de formação
imersiva em gestão proativa de clientes, numa empresa onde a abordagem
clássica não foi suficiente para transformar os conhecimentos adquiridos em
comportamentos observáveis e convertíveis em negócios, neste caso em
particular.

A partir desse momento iniciava-se uma espécie de "jogo da vida real", onde
cada gestor de clientes teria de colocar em prática algumas ações comerciais
concretas e proativas, junto dos seus clientes, para reaver os seus
equipamentos. Por exemplo, agendar uma reunião para abordar esse cliente
acerca dum novo projeto, dar-lhe-ia direito a ter de volta a sua cadeira. Um
jogo onde, apenas em algumas semanas, os gestores de clientes perceberam que
o panorama do mercado se alterou e que sua postura tem de ser muito mais
dinâmica do que antes, para conseguirem acrescentar valor ao seu negócio. E
fizeram-no.

Efetivamente, na grande maioria das situações, quando estamos perante
projetos formativos, existe uma grande preocupação com o desenho da
formação, com a avaliação da satisfação e por vezes também (e apenas por
vezes), com a avaliação da aprendizagem. Depois disso, as empresas,
simplesmente, aguardam pela mudança comportamental dos formandos, embora
algumas delas nem se apercebam que ficou um espaço vazio por preencher entre
a aprendizagem e a mudança de comportamentos: como utilizar o conhecimento
adquirido para fazer acontecer a mudança comportamental.

Talvez com um exemplo tudo se torne mais claro. Pense que é responsável por
uma equipa de técnicos de terapia ocupacional numa residência de luxo para
seniores e que estamos a falar numa formação em técnicas de reanimação. A
formação aconteceu em sala, foi baseada na apresentação de slides e decorreu
de forma muito dinâmica, todos os formandos avaliaram a sessão de forma
excecional e os seus conhecimentos foram medidos, com resultados muito
elevados. Seria expectável que agora, simplesmente, aguardássemos para ver a
capacidade destes formandos colocarem em prática o que aprenderam? E se
fosse você quem precisasse de ser reanimado por um deles?

Se a resposta parece ser evidente para o exemplo aqui apresentado, por que
motivo deverá ser diferente para outras temáticas? A técnica de vendas, a
gestão do tempo, a gestão de equipas, entre muitas outras. Mesmo quando
falamos em competências comportamentais, como a comunicação ou a liderança,
é fundamental ajudar o formando a compreender como pode operacionalizar o
que aprendeu para fazer acontecer a mudança.

Este é apenas um dos motivos pelos quais as abordagens imersivas fazem
sentido, podendo ser aplicadas em contextos de ensino ou de formação
profissional.

Mas para além de constituírem uma excelente ferramenta de apoio à
transferência, as abordagens de formação imersiva têm outra importante
vantagem que consiste na capacidade de envolver os formandos no projeto
formativo. Vejamos mais em detalhe.

A experiência imersiva é uma técnica de formação experiencial que consiste
em transformar os projetos de formação em verdadeiros enredos protagonizados
pelos formandos, sendo convidados a viver uma experiência absorvente e
paralela à sua vida quotidiana.

Uma experiência imersiva pode consistir numa situação da vida real, tal como
vimos no exemplo inicial. Essa experiência envolve os formandos num contexto
inesperado, disruptivo e que gera um conjunto de sensações e emoções, sendo
a chave para compreenderem como utilizar os conhecimentos transmitidos nesse
projeto formativo.

A investigação dos benefícios da aprendizagem experiencial, conta já com
cerca de 30 anos e neste período, têm surgido novas técnicas de ensino e de
formação que vêm sendo incorporadas em diversos países como apoio à
transmissão formal de conteúdos.

Esta técnica inovadora surge assim como um complemento às abordagens
tradicionais e tem como objetivo alcançar um maior grau de envolvimento por
parte dos formandos, que deste modo colocam em prática os conteúdos do
projeto de formação, percebendo a sua utilidade e forma de aplicação
prática, algo que os influenciará na adoção espontânea de novos
comportamentos.

Existe um eixo central em todos os projetos: apoiam-se no enredo de uma
"história real". Essa história é escrita propositadamente para cada situação
e é o fio-condutor que dá sentido a todo o projeto formativo, acompanhando
os formandos antes, durante e após a formação.

Num estudo comparativo entre abordagens clássicas e imersivas, foi possível
registar um maior impacto sobre os participantes ao nível da sua motivação
para aprender, da aprendizagem propriamente dita e sobretudo, das crenças de
auto-eficácia.

Já pensou como seria se estas abordagens imersivas fossem aplicadas na sua
organização? E já imaginou ser participante numa destas experiências da vida
real? Quem sabe se não estará para breve!